Trump e o destino da democracia eleitoral

A reação de Trump diante de uma derrota pode dar novo destino a democracia eleitoral


O Presidente dos EUA tem dado sinais de que pode resistir a reconhecer o resultado das próximas eleições. Embora esse seja um cenário improvável, matérias publicadas nos últimos dias a partir da consulta a especialistas em direito eleitoral sugerem que o presidente em exercício tem ferramentas para protelar a posse do novo presidente, que deve acontecer até o dia 20 de janeiro de 2021.


De acordo com matérias publicadas no New York Times e Washington Post, o meio jurídico e político já está contando que a eleição será contestada se Trump perder. Equipes legais já estão sendo contratadas e preparadas para representar a campanha de Trump. O ponto que será explorado para a contestação do resultado será a votação via correios.


Matt Bonner

O que interessa ao resto do mundo sobre esse processo é que dependendo da intensidade da contestação feita por Trump todas as democracias do mundo, especialmente, as mais frágeis, aquelas que já tomaram um caminho autoritário, podem seguir o mesmo caminho. A contestação das eleições feita pela campanha de Trump pode servir de modelo para contestação em outros lugares. E o que parecia ruim pode piorar: a rejeição nas eleições pode se tornar insuficiente para afastar as forças autoritárias do poder.

O que está em jogo nas eleições americanas não se trata mais simplesmente da escolha do presidente para os próximos 4 anos. O que está em jogo é se o voto e as eleições ainda serão ferramentas válidas para escolher os mandatários legítimos do governo.


Há muitos anos, especula-se sobre o declínio da liderança mundial dos EUA. A ascensão da China era apontada como uma das possíveis causas. Num futuro próximo EUA e China disputariam a hegemonia sobre o mundo.

No entanto, dependendo de como os norte-americanos e as instituições do país irão lidar com o resultado das próximas eleições podemos testemunhar o último prego no caixão do Império Americano. Se não conseguir realizar uma transição pacífica e um processo eleitoral com lisura e credibilidade, o país perde completamente a capacidade de liderar o mundo. E com ele vai junto o modelo vigente da democracia eleitoral.

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